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Uma vida igual a outras

Aqui nada se escreve, tudo se transforma... Uma história de vida igual a outras...

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Uma vida igual a outras

18
Dez18

Quando a vida nos ensina a ser fortes....

Cris

É incrivel como a vida nos vai pondo a prova, é íncrivel como as prioridades mudam, e como até então o que poderia ser muito mau se torna supérfulo...

A  19 de Outubro tinha consulta com a minha médica no particular de rotina, quando a fazer uma eco verifica que o meu colo uterino nao estava normal, um colo uterino normal deveria estar com uma medida superior a 4.0 cm e o meu só estava a 2.2 cm, pediu-me para no dia 24 me apresentar no hospital para ser reavaliada e preparar a entidade patronal para uma possivel baixa de gravidez de risco. 

No dia 24 eu e o meu companheiro lá nos apresentamos no hospital as 9:00 da manhã para a dita consulta, entramos no consultório e começamos a consulta, chamaram outro médico para dar opinião e quando começaram a realizar a ecografia transvaginal  o meu mundo desmoronou ali mesmo.... O meu colo de sexta a quarta tinha literalmente desaparecido, estava apenas com 0.6cm, ou seja, apenas 6 milimetros separavam a nossa luísa de estar cá fora... Fui imediatamente internada, repouso absoluto, e indicação para uma cerclagem de emergência. 

A cerclagem é uma cirurgia que consiste em cozer com uma linha ou fita o colo do utero e impedir que com o peso do bebé este e abra, está cirurgia so deve ser feita até as 16 semanas, após esse período só existe 50% de hipotése de sucesso, e semana a semana reduz essa probabilidade em 5/10%. Ou seja nos ja estavamos com 20.

Aqui começou o meu maior pesadelo, os médicos não se entendiam, e davam a sensação que nem passavam a palavra, hoje ia fazer cirurgia só estavam a espera dos resultados de sangue, amanhã já me diziam que não, que iria ter de ficar no hospital internada até a bebe nascer. O meu pânico crescia de dia para dia, pois o tempo passava não me dava soluções, e eu ali, com a minha mais velha em casa, e com a mionha vida literalmente parada a pensar que iria ficar naquela cama mais 20 semanas.

Até que ao fim de 10 dias de internamento lá apareceu aquele que iria ser o meu "salvador"... e aí sim, tive de tomar a decisão mais dificil da minha vida em minutos, e basicamente a nossa conversa foi assim:

 

- Cristina, temos duas opções, ou não fazemos nada, e esperamos um desfecho desta situação, ficamos em repouso e tentamos levar a gravidez pelo menos até as 24/26 semanas, já que antes das 24 semanas não existe viabilidade para o bebé e é chamado de aborto tardio, em que até o facto de ir ao wc é alto risco para o bebé nascer, ou optamos pela cerclagem, que devido ao tempo do bebé e ao minusculo tamanho do colo do útero existe um altissímo risco de durante a cirurgia romper a bolsa de águas ou entrar em trabalho de parto ( afinal estao a estimular ao maximo o colo uterino, e só tem 0.6cm de espaço entre a bolsa parfa passar uma enorme agulha), se correr bem, daqui a dois dias vai para casa, se correr mal acaba já ali no bloco. 

Estas palavras foram sem qualquer dúvida as palavras mais gordas e díficieis de ouvir, estavam ali a dar-me duas opções e não queria nenhuma delas, estava ali sozinha com uma equipa médica e teria de decidir o que queria, e na realidade não queria nenhuma...

Optei pela cirurgia, e fui para o bloco logo no dia seguinte pela manhã... Foi cirurgia com epidural, e felizmente coreeu Bem, entramos duas e saímos duas do bloco. Fui operada pelos melhores dos melhores e a minha cirugia considerada de Sucesso...

Hoje estamos em casa, com 28 semanas, em repouso relativo, faço as coisinhas de casa e passo a maior parte do tempo no sofá. já passou um mês e meio e já suspiro a falar deste assunto. Foi-me diagnosticada IIC, insuficiencia Istmo Cervical adquirida, ou seja, normalmente estes casos são de nascença e é uma doença bastante comum, apesar de em portugal nao existir grande informaçao sobre isso, entre as 18 e as 22 semanas sem qualquer dor ou sintomas o utero abre e os bebes nascem, no meu caso esta doença foi adquirida ou seja, por algum motivo durante o trabalho de parto da minha mais velha o meu útero ficou com lesões perdendo a capacidade de suportar um bebé, esta doença é grave e não têm retorno, ou seja se um dia voltar a querer outro filho ainda terei menos colo e obrigatóriamente terei de fazer a mesma cirurgia mas claro sempre seria mais cedo. 

A nossa Luísinha esta bem, na verdade ela sempre esteve forte e saudavel, o problema era mesmo eu, voltamos ao bloco as 36/37 semanas para retirar as costuras e a Luísa poder nascer, pois entrar em trabalho de parto cozida é gravíssimo porque o Utero pode rebentar, ao minimo sinal tenho de ir para o hospital. 

Bem, entretanto estamos por casa sem fazer nenhum, e eu até estou a gostar desta boa vida, afinal depois da Luísa nascer nunca mais irei ter 20 semanas em que a minha vida se resuma a um sofá, netflix, e os programas da júlia. 

 

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