Aqui nada se escreve, tudo se transforma... Uma história de vida igual a outras...

09
Ago 08
No dia 21 de Julho de 2008 acordamos bem cedo, não dormi nada nessa noite com os nervos, acordamos por volta das 5 da manha para eu tomar o meu banhinho e um pequeno almoço e irmos buscar a sogrita (a mama já tava connosco) e partir em direcção a Viana do Castelo para estar lá bem cedinho, eram 7h30 e já lá estávamos a espera das 8 para entrar... As oito eu e o papa fomos fazer o check-in e rumamos em direcção ao 5º andar para a sala de espera, quando lá cheguei juntamente comigo estavam mais grávidas éramos tantas!!! Eu fiquei logo atrofiada pois a medica mandou-nos a todas no mesmo dia para nos induzir o parto, 5 minutos depois ouvi o meu nome, lá fui eu fazer o CTG que mais uma x não registava qualquer presença de contracções, e lá me dirigiram para o consultório da médica, e não é que quando me foram fazer o toque, mal me deito na marquesa rebentam-me as águas? já tinha 2 cm de dilatação, então a médica colocou-me umas “coisas” não sei bem o que era para acelerar o parto, fui buscar o papa e lá fomos nós para o gabinete três onde me vestiram a rigor e me deitei na cama, era ali onde eu e o papa iríamos passar o resto do dia, e era ali também onde eu iria ter o meu bebe.
Ligaram-me a CTG e já eu estava com contracções de 2 em 2 minutos, mas bastante controláveis, eu lá ia praticando a respiração, com a ajuda das fantásticas enfermeiras a quem eu tenho muito que agradecer.
Ate ao meio-dia tudo corria as mil maravilhas as contracções eram muito seguidas mas nada que não se controla-se.
A partir do meio-dia as coisas começaram a ficar um pouco criticas, tinha contracções muito seguidas e já me contorcia toda na cama nem havia respiração que me valesse pois por varias x que hiperventilei o que não ajudou nada.
As três veio a anestesista a doutora rosa, 5 estrelas, lá me pus na posição fetal e opa toca a administrar a epidural que não me custou absolutamente nada, 20 minutos depois já eu estava nas nuvens com a epidural na ser administrada a 12 ml/h. Deu para eu e o papa dormir mos uma soneca e que bem soube.
As 4 da tarde já eu tinha os 10 dedos de dilatação, e só ouvi a enfermeira a dizer que eu ia ser a primeira a despachar-me (mal eu sabia o que me esperava), a mulher que estava no gabinete do lado só tinha ainda um dedo de dilatação e tinha vindo primeiro que eu, só que uma hora depois para surpresa das surpresas ouvimos o primeiro bebe a dar um choro, a mais atrasada foi a primeira a despachar-se.
Lá veio a medica das cesarianas para os gabinetes e veio visitar-me as 6 da tarde e só me disse: “ Cristina a bebe esta muito subida, por isso puxe, aproveite as contracções”, e eu lá ia puxando a verdade é que sem vontade nenhuma, pois não sentia nada, entretanto vinham outras enfermeiras e obstetras faziam-me toques horríveis posso dizer pois estavam a tentar virar a bebe de barriga para baixo, a enfermeira parteira só dizia, é melhor passar-mos para cesariana ou ela não sai daqui, vinha a medica e dizia que eu tinha muito espaço só tinha era de puxar, e decidiu tirar-me a epidural, e aí sim, a partir daí foi horrível, as contracções eram fortíssimas eu contorcia-me como uma louca, admito que berrei e muito, e lá iam aparecendo enfermeiras e medicas a tocarem-me e eu estava prestes a dar em louca, a parteira não estava a gostar nada, e só ouvia “parece que vou ter de ir tirar outra x o curso”, tanto eu como o meu marido notamos que haviam um clima estranho entre elas, o que sobrou para mim, vinha uma e dava-lhe o copo para a mão ao alex, a seguir vinha outra e tirava-lhe, agora já podia beber agua, a seguir já não, uma dizia puxe, outra dizia para não puxar pois estava a cansar-me e eu ali, a assistir as zaragatas de médicos/enfermeiros, supliquei mil x para me ajudarem, chorei agarrada ao Alexandre, pedi por tudo para me tirarem as dores, e a parteira olhava para mim e só dizia “ filha desculpa eu adorava ajudar-te mas não posso fazer nada, a médica se quisesse já te tinha feito o parto não sei porque te estão a sujeitar a isto”.
Estava prestes a dar em louca, e nos a ouvirmos bebes a chorar e a velas a correr de uns gabinetes para outros para fazer outros partos, as dez lá decidiram que era a minha hora, veio a medica e a outra médica (a que a substituiu quando foi de ferias a que denominei GO substituta), e lá depois de berrarem comigo pois eu só me encolhia com as contracções (depois de 4 horas a penar com elas ao máximo) e lá trouxeram as ventosas, o meu maridão do meu lado direito a dar-me toda a força do mundo, a parteira sentou-se ao fundo do gabinete e só olhava para mim com cara de piedade, comecei a puxar com as contracções o máximo que podia quando a outra médica se colocou em cima de mim com os cotovelos, aí sim, ai estava mesmo a desfalecer, a médica tentava com as ventosas mas sempre que tinha uma contracção a bebe subia e a ventosa nada podia fazer, e eu lá puxava com todas as minhas forças ate que levei duas tesoiradas e só vi o alex a encolher-se, no meio de tanto puxar e de tantos cotovelos em cima lá sinto a minha bebe a sair de mim, e só ouço o Alexandre dizer, Amor é cabeluda como o pai, e a médica a dizer-me “olhe a sua filha” eu levantei a cabeça e vi-a nas mãos da médica que logo a pousou em cima de mim, eu delirei, naquele momento passou tudo olhei para ela a ouvi-la chorar, e escorreram duas lágrimas na minha cara, não consigo descrever o que senti, é daquelas coisas que por mais anos que vivamos nunca vamos conseguir descrever o que sentimos, o papa cortou o cordão como um grande, e a parteira (que afinal nada fez) pediu-me autorização para lhe passar a bebe para a vestir etc., e eu lá lhe passei a minha mais que tudo.
Nasceu a Ana Sofia as 22:40 com 3790kg e 53 cm.
A médica lá saiu a correr para outro gabinete e eu lá fiquei (de pernas abertas hehe) a ver a minha filha a ser lavada e vestida, a enfermeira chegou ao pé de mim e disse-me, parabéns foi uma grande mulher. O papa lá foi mostrar a menina a famelga que se encontrava toda na sala de espera.
Quando voltou sentou-se ao meu lado e ficamos os dois a admirar a nossa beldade, eu continuava com contracções e as 23:30 lá sai a placenta e lá nos estiveram a amostrar e a explicar como o bebe estivera etc.
Logo depois chegou a medica para me coser, enquanto ela me cosia eu admirava a minha filha que se encontrava nos braços do pai.
Ela chorava tanto, tanto, ate que vi a cabeça dela e estava toda ferida e inchada, decidiram chamar o pediatra para lhe dar qualquer coisa para as dores a bebe.
O papa teve de ir embora e eu depois de ter levado 8 pontos externos e mais uma quantidade deles internos agarrei a minha filha nos braços e admirei cm por cm da face dela, depois de ser vista pelo medico meteram a no meu peito e ela mamou como uma grande mulher.
As 3 da manha passara-me para o quarto a bebe ainda chorava muito (naquela noite ninguém dormiu na maternidade) as 6 da manha o remédio fez efeito e ela acalmou-se.
O resto dos dias foi muito calmos.

Agora digo a todas as mamas e futuras mamas, eu sofri muito foram 14 horas de parto muito complicadas, temi pela vida da minha filha, senti-me fraca e impotente mas depois de a ater nos braços tudo passou e hoje digo por ela passaria tudo outra x ate a dobrar se fosse preciso!

Nós as mulheres temos a capacidade de esquecer muito depressa. Pois o amor vence tudo.

O meu marido foi a ajuda mais preciosa que poderia ter. O facto de termos alguém ao nosso lado a dar-nos força é muito importante, é 50% da ajuda para um parto mais fácil.

As instalações do hospital (CHAM) são 5 estrelas, temos um quarto super bem equipado para cada grávida e é lá que tudo acontece desde o período de dilatação ate ao parto, exames do bebe, recobro etc.
É um hospital que esta muito bem equipado para um hospital publico.
publicado por Cris às 02:10

2 comentários:
Olá
Antes de mais parabéns pela coragem que teve no parto da filhota.
O meu parto natural(gêmeos)também foi no CHAM mas como já foi à 5 anos e meio as salas ainda não estavam assim, era uma sala de dilatação e a outra sala de partos, é um pouco aborrecido andar de um lado para o outro.
O meu parto durou 12 horas e sem epidural e não foi nada como o seu, felizmente foi sem forceps, sem ventosa...o mais natural possivel. O primeiro nasceu as 11:50h e o segundo às 12h...ai que saudades...
Também eu não tenho a minima queixa do CHAM, é um pessoal super simpatico.
Sedejo-lhe as maiores felicidades com a Ana Sofia.
Bjs
Sandra
coisascomgosto a 9 de Agosto de 2008 às 09:13

Olá querida mamã, li o relato do teu parto sentada na ponta da cadeira...imagino que tenha sido um parto demorado mas no fim tudo compensa. É tão mágico vermos os nossos filhos pela primeira vez!
Beijinhos,Sofia,Pedro e Joana
Sofia e Pedro a 9 de Agosto de 2008 às 14:15

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